sexta-feira, 30 de maio de 2014



Chico Xavier soube exemplificar, durante toda a sua vida, essa moral de Jesus, praticando a caridade e a humildade, nos ensinando a amar o próximo.



“A caridade é, em todos os mundos, a eterna âncora de salvação; é a mais pura emanação do próprio Criador; é a sua própria virtude, dada por ele à criatura. Como desprezar essa bondade suprema? Qual o coração, disso ciente, bastante perverso para recalcar em si e expulsar esse sentimento todo divino? Qual o filho bastante mau para se rebelar contra essa doce carícia: a caridade?” (Allan Kardec, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIII).

quinta-feira, 29 de maio de 2014

AVISO

Está sendo procurado:

Homem considerado galileu.

Trinta e três anos.

Pele clara e expressão triste.

Cabelos longos e barba maltratada.

Marcas sanguinolentas nas mãos e nos pés.

Caminha habitualmente, acompanhado de mendigos e vagabundos, doentes e mutilados, cegos e infelizes.

Onde aparece, freqüentemente, é visto, entre grande séquito de mulheres sendo algumas de má vida, com crianças esfarrapadas.

Quase sempre está seguido por doze pescadores e marginais.

Demonstra respeito para com as autoridades, determinando se dê a Cesar o que é de Cesar, mas espalha ensinamentos contrários à Lei antiga, como sejam:
- o perdão das ofensas;
- o amor aos inimigos;
- a oração em favor daqueles que nos perseguem ou caluniam;
- a distribuição indiscriminada de dádivas com os necessitados;
- o amparo aos enfermos, sejam eles quais forem;
- e chega ao cúmulo de recomendar que uma pessoa espancada numa face ofereça a outra ao agressor.

Ainda não se sabe se é um mágico, mas testemunhas idôneas afirmam que ele multiplicou cinco pães e dois peixes em alimentação para mais de cinco mil pessoas, tendo sobrado doze cestos.

Considerado impostor por haver trazido pessoas mortas à vida, foi preso e espancado.

Sentenciado à morte, com absoluta aprovação do próprio povo, que o condenou, de preferência à Barrabás, malfeitor conhecido, recebeu insultos e pedradas, sem reclamar, quando conduzia a cruz às costas.

Não se ofendeu, quando questionado pela Justiça, complicando-se-lhe a situação, porque seus próprios seguidores o abandonaram nas horas difíceis.

Sob afrontas e zombarias, foi crucificado entre dois ladrões.

Não teve parentes que lhe demonstrassem solidariedade, a não ser sua Mãe, uma frágil mulher que chorava aos pés da cruz.

Depois de morto, não se encontrou lugar para sepultá-lo, senão lodoso recanto de um túmulo por favor de um amigo.

Após o terceiro dia do sepultamento, desapareceu do sepulcro e já foi visto por diversas pessoas que o identificaram pelas chagas sangrentas dos pés e das mãos.

Esse é o homem que está sendo cuidadosamente procurado.

Seu nome é Jesus de Nazaré.

Se puderes encontrá-Lo, deves segui-Lo para sempre.



E-mail recebido dia 10/01/2003 da Fundação Espírita André Luiz pelo Espírito Maria Dolores, do livro: Coração e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier.

O mundo espiritual e suas colônias


A condição de ser humano é algo grandioso, magnífico, mesmo que algumas religiões digam o contrário. No plano espiritual, nas suas diferentes faixas vibratórias, existem muitas colônias espirituais, onde espíritos afins, no mesmo nível evolutivo, se agrupam e formam verdadeiras sociedades extrafísicas organizadas.

No plano espiritual existem, à semelhança da Terra, muitas casas, templos, jardins, bosques, montanhas, rios cristalinos, vegetais e animais, etc. Logicamente não se trata da mesma matéria do plano físico. É uma matéria espiritual, mais sutil.

Podemos chamar de matéria astral ou matéria extrafísica.

O plano espiritual, podemos dizer, é uma cópia, muito mais perfeita, do plano físico, ou melhor, o plano físico é como um esboço do plano espiritual, sendo este último uma espécie de "Terra aperfeiçoada".

Por mais que se evolua, através dos tempos, o plano físico, o planeta, sua matéria e tudo mais, nunca chegará a ser igual à matéria do plano espiritual, pois esta é formada por substância ou matéria astral que é ideoplástica, que é manipulada e modelada pelo pensamento e pelo sentimento, pela razão e pelo amor; sobre tudo isso falaremos mais a frente. Essa similaridade, em alguns pontos, com o plano físico é necessária para o espírito se acostumar e se adaptar a essa nova vida que se inicia.

Os espíritos desencarnados, assim como os humanos, também tem suas ocupações, as mais variadas possíveis. Eles tem trabalho, que aplicam em seu benefício e também de outros seres, físicos ou espirituais, para seu próprio crescimento espiritual, embora isso não seja regra absoluta, pois lá também há espíritos ociosos, assim como eram na Terra, mas sujeitos a melhorar; tem atividades, lazer, etc. e muitos deles, de evolução mediana, também dormem, em suas moradias.

Quanto mais evoluída a entidade, menos necessidade tem ela do sono.

O espírito tem direito apenas a uma casa astral onde vai viver e repousar, enquanto estiver no plano espiritual. Quando esses espíritos dormem, há um sono semelhante ao nosso, funcionando apenas como um repouso reparador, mas, também, em algumas ocasiões, durante o sono, eles se desprendem com lucidez, conscientemente, usando o corpo mental, e se dirigem para lugares os mais variados possíveis e diversas dimensões espirituais.

Nestas cidades espirituais há toda uma administração organizada, seres que cuidam de todos os setores da vida nessas comunidades espiritiuais, mantendo a vida em perfeita concordância com os princípios crísticos, para garantirem a evolução de todos.

Os espíritos mais evoluídos destas colônias tem funções mais elevadas, e, assim, tem condições de dirigirem e orientarem, sempre para o bem comum, a vida de todos. Em algumas colônias, existe geralmente um Governador Espiritual, chefe maior da colônia, vários Ministros, etc. Deixamos claro que tudo depende do nível evolutivo da colônia e de como se organizam. Há cidades espirituais que se organizam de forma completamente diferente.

Em uma cidade espiritual de transição, em uma colônia espiritual, chamada Nosso Lar, existem vários ministérios, por exemplo:

Ministério do Auxílio,
Ministério da Elevação,
Ministério da União Divina,
Ministério da Regeneração,
Ministério da Comunicação,
Ministério do Esclarecimento.

Porém, nem todas as colônias seguem esse padrão administrativo, há cidades espirituais muito superiores, em todos os sentidos, em planos mais elevados.

A cidade Nosso Lar está situada na terceira "esfera-espiritual" sobre o astral do Rio de Janeiro; acima dessa há inúmeras, poderemos citar, por exemplo, uma mais elevada chamada Metrópole Astral do Grande Coração, de costumes brasileiros, e uma acima desta que é conhecida como Cidade Espiritual Brasil e acima desta outras responsáveis por toda administração do nosso Planeta.

Portanto, a partir dessas explicações, deixamos claro que são as Colônias Espirituais, situadas nos diversos planos da Multidimensionalidade, a partir do Astral Mediano ao Astral Superior, que cuidam de todos os seres do plano físico e também dos mais diversos aspectos que compõe a vida humana, desde os mais simples aos mais complexos; também supervisionam, dirigem e orientam, da melhor forma possível, todos os governos, de todos os países, do nosso mundo. No entanto, sua atuação é limitada pela Lei Cósmica, pela Lei Divina, que tudo sustenta, e dirige para a felicidade suprema todos os seres.

Este assunto foi exposto nas Palestra do dia  19/09/2013


 O ANJO CINZENTO   


 Para que o Homem adquirisse confiança em Sua Bondade Infinita, determinou o Senhor que
vários Anjos o amparassem na Terra, amorosamente...

Em razão disso, quando mal saía do berço, aproximou-se dele um Anjo Lirial que, aproveitando
os lábios daquela que se lhe constituíra em mãezinha adorável, lhe ensinou a repetir:

― Deus...Pai do Céu... Papai do Céu...

Era o Anjo da Pureza.

Mais tarde, soletrando o alfabeto, entre as paredes da escola, acercou-se dele um Anjo de Luz
Verde que, por intermédio da professora, o ajudou a pronunciar em voz firme:

― Deus, Nosso Pai Celestial, é o Criador de todos os seres e de todas as coisas...

Era o Anjo da Esperança.

Alongaram-se-lhe os dias, até que penetrou uma casa de ensino superior, sob cujo teto
venerável foi visitado por um Anjo de Luz de Ouro que, através de educadores eméritos, lhe falou
acerca da glória e da magnificência do Eterno, utilizando a linguagem da filosofia e da ciência.

Era o Anjo da Sabedoria.

O Homem compulsou livros e consultou autoridades, desejando a comunhão mais direta com o
Senhor e fazendo-se caprichoso e exigente.

Olvidando o direito dos semelhantes, propunha-se conquistar as atenções de Deus tão somente
para si. A Majestade Divina, a seu parecer, devia inclinar-se aos petitórios, atendendo-lhe as
desarrazoadas solicitações, sem mais nem menos; e, porque o Criador não se revelasse
disposto a personalizar-se para satisfazê-lo, começou a cultivar o espinheiro da negação e da
dúvida.

Por mais insistisse o Anjo Dourado, rogando-lhe reverenciar o Senhor, acatando-lhe as leis e os
desígnios, mais se mergulhava na hesitação e na indiferença.

Atormentado, procurou um templo religioso, onde um Anjo Azul o socorreu, valendo-se de um
sacerdote para recomendar-lhe a prática do trabalho e da humildade, com a retidão da
consciência e com a perseverança no bem.

Era o Anjo da Fé.
 O Homem registrou-lhe os avisos, mas, sentindo enorme dificuldade para render-se aos
exercícios da virtude, clamava intimamente: ― “Deus? Mas existirá Deus realmente? Por que
razão não me oferece provas indiscutíveis do seu poder?”

Freqüentando o templo para não ferir as convenções sociais, foi auxiliado por um Anjo Róseo
que lhe conduziu a inteligência à leitura de livros santos, comovendo-lhe o coração e
conduzindo-lhe o sentimento à prática do amor e da renúncia, da benevolência e do sacrifício, de
maneira a abreviar o caminho para o Divino Encontro.

Era o Anjo da Caridade.

O teimoso estudante aprendeu que não lhe seria lícito aguardar as alegrias do Céu, sem havê-
las merecido pela própria sublimação na Terra.

Ainda assim, monologava indisciplinado: ― “Se sou filho de deus e se Deus existe, não justifico
tanta formalidade para encontrá-lo...”

E prosseguia surdo aos orientadores angélicos.

Casou-se, constituiu família, amealhou dinheiro e garantiu-se contra as vicissitudes da sorte;
entretanto, por mais se esforçassem os Anjos da Caridade e da Sabedoria, da Esperança e da
Fé, no sentido de favorecer-lhe a comunhão com o Céu, mais repudiava os generosos
conselheiros, exclamando de si para consigo: ― “Deus? Mas existirá efetivamente Deus?”

Enrugando-se-lhe o rosto e encanecendo-se-lhe a cabeça orgulhosa, reuniram-se os gênios
amigos, suplicando a compaixão do Senhor, a benefício do rebelde tutelado.

Foi quando desceu da Glória Celeste um Anjo Cinzento, de semblante triste e discreto.

Não tomou instrumentos para comunicar-se.

Ele próprio abeirou-se do revoltado filho do Altíssimo, abraçou-o e assoprou-lhe ao coração a
mensagem que trazia...

Sentindo-lhe a presença, o Homem cambaleou, deitou-se e começou a reconhecer a
precariedade dos bens do mundo... Notou quão transitória era a posse dos patrimônios
terrestres, dos quais não passava de usufrutuário egoísta... Observou que a sua felicidade
passageira era simples sombra a esvair-se no tempo... E, assinalando sofrimento e desequilíbrio
no âmago de si mesmo, compreendeu que tudo que desfrutava na vida era empréstimo divino da
Eterna Bondade...

Meditou... Meditou... reconsiderando as atitudes que lhe eram peculiares e, em lágrimas de
sincera e profunda compulsão, qual se fora tenro menino, dirigiu-se pela primeira vez, com toda a
alma, ao Todo Poderoso, suplicando:

― Deus de Infinita Misericórdia, meu Criador e meu Pai, compadece-te de mim!...

O Anjo Cinzento era o Anjo da Enfermidade


Este assunto foi exposto nas Palestra do dia  28/08/2013


O Livro dos Espíritos

Parte Terceira – Capítulo 9

Lei de igualdade

Igualdade natural – Desigualdade das aptidões – Desigualdades sociais – Desigualdade das riquezas – Provas de riqueza e de miséria – Igualdade dos direitos do homem e da mulher – Igualdade diante do túmulo

Igualdade natural

803 Todos os homens são iguais diante de Deus?

– Sim, todos tendem ao mesmo objetivo e Deus fez suas leis para todos. Muitas vezes, dizeis: “O Sol nasce para todos”e dizeis aí uma verdade maior e mais geral do que pensais.

☼ Todos os homens são submissos às mesmas leis da natureza; todos nascem com a mesma fraqueza, sujeitos às mesmas dores, e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Portanto, Deus não deu a nenhum homem superioridade natural nem pelo nascimento, nem pela morte: todos são iguais diante de Deus.

Desigualdade das aptidões

804 Por que Deus não deu as mesmas aptidões a todos os homens?

– Deus criou todos os Espíritos iguais; mas, como cada um viveu mais ou menos, conseqüentemente, adquiriu maior ou menor experiência; a diferença está na experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio. Daí uns se aperfeiçoarem mais rapidamente do que outros, o que lhes dá aptidões diversas. A variedade dessas aptidões é necessária, para que cada um possa concorrer com os desígnios da Providência no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não pode ou não sabe fazer o outro faz; é assim que cada um tem o seu papel útil. Depois, todos os mundos sendo solidários uns com os outros, é natural que habitantes de mundos superiores, na sua maioria criados antes do vosso, venham aqui habitar para dar o exemplo. (Veja a questão 361.)

805 Ao passar de um mundo superior a outro inferior, o Espírito conserva a integridade das faculdades adquiridas?

– Sim, já dissemos, o Espírito que progrediu não regride; pode escolher, no estado de Espírito, um corpo mais grosseiro ou uma posição mais precária do que a anterior, mas tudo isso deve sempre lhe servir de ensinamento e ajudá-lo a progredir. (Veja a questão 180.)

☼ Assim, a diversidade das aptidões entre os homens não tem relação com a natureza íntima de sua criação, mas do grau de aperfeiçoamento que tenha alcançado como Espírito, durante as várias encarnações. Deus, portanto, não criou a desigualdade das faculdades ou aptidões, mas permitiu que Espíritos de diferentes graus de desenvolvimento mantivessem permanente contato, a fim de que os mais avançados pudessem ajudar o progresso dos mais atrasados e também para que os homens, tendo necessidade uns dos outros, praticassem a lei de caridade que deve uni-los.

Desigualdades sociais

806 A desigualdade das condições sociais é uma lei da natureza?

– Não. É obra do homem e não de Deus.

806 a Essa desigualdade desaparecerá um dia?

– Apenas as Leis de Deus são eternas. Vós não vedes essa desigualdade se apagar pouco a pouco todos os dias? Desaparecerá juntamente com o predomínio do orgulho e do egoísmo, apenas restará a diferença do merecimento. Chegará o dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não se olharão como de sangue mais ou menos puro, porque apenas o Espírito é mais ou menos puro, e isso não depende da posição social.

807 O que pensar dos que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito?

– Esses se lamentarão: infelizes deles! Serão por sua vez oprimidos: renascerão numa existência em que suportarão tudo o que fizeram os outros suportar. (Veja as questões 273 e 684.)


Este assunto foi exposto nas Palestra do dia 23/05/2014

O Poder da Oração

          
 9 – A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus. Quando oramos para outros seres, e não para Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem à vontade de Deus.
            10 – O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando o nosso pensamento eleva-se a ele. Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do fluido universal se ampliam ao infinito. Quando, pois, o pensamento se dirige para algum ser, na terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som.
            A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. É assim que a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem, assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem as suas inspirações, e que as relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados.
            Esta explicação se dirige sobretudo aos que não compreendem a utilidade da prece puramente mística. Não tem por fim materializar a prece, mas tornar compreensíveis os seus efeitos, ao mostrar que ela pode exercer ação direta e positiva. Nem por isso está menos sujeita à vontade de Deus, juiz supremo em todas as coisas, e único que pode dar eficácia à sua ação.
            11 – Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos, que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos. Ele adquire assim a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, quando dele se afastou; e assim também podem desviar de si os males que atrairia pelas suas próprias faltas. Um homem, por exemplo, sente a sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu, e arrasta, até o fim dos seus dias, uma vida de sofrimento. Tem o direito de queixar-se, se não conseguir a cura? Não, porque poderia encontrar na prece a força para resistir às tentações.
            12 – Se dividirmos os males da vida em duas categorias, sendo uma a dos que o homem não pode evitar, e outra a das atribuições que ele mesmo provoca, por sua incúria e pelos seus excessos. (Ver cap. V, nº 4), veremos que esta última é muito mais numerosa que a primeira. Torna-se pois evidente que o homem é o autor da maioria das suas aflições, e que poderia poupar-se, se agisse sempre com sabedoria e prudência.
            É certo, também, que essas misérias resultam das nossas infrações às leis de Deus, e que, se as observássemos rigorosamente, seríamos perfeitamente felizes. Se não ultrapassássemos os limites do necessário, na satisfação das nossas exigências vitais, não sofreríamos as doenças que são provocadas pelos excessos, e as vicissitudes decorrentes dessas doenças. Se limitássemos as nossas ambições, não temeríamos a ruína. Se não quiséssemos subir mais alto do que podemos, não recearíamos a queda. Se fossemos humildes, não sofreríamos as decepções do orgulho abatido. Se praticássemos a lei de caridade, não seríamos maledicentes, nem invejosos, nem ciumentos, e evitaríamos as querelas e as dissensões. Se não fizéssemos nenhum mal a ninguém, não teríamos de temer as vinganças, e assim por diante.
Admitamos que o homem nada pudesse fazer contra os outros males; que todas as preces fossem inúteis para livrar-se deles; já não seria muito, poder afastar todos os que decorrem da sua própria conduta? Pois bem: neste caso concebe-se facilmente a ação da prece, que tem por fim atrair a inspiração salutar dos Bons Espíritos, pedir-lhes a força necessária para resistirmos aos maus pensamentos, cuja execução pode nos ser funesta. E, para nos atenderem nisto, não é o mal que eles afastam de nós, mas é a nós que eles afastam do pensamento que nos pode causar o mal; não embaraçam em nada os desígnios de Deus, nem suspendem o curso das leis naturais, mas é a nós que impedem de infringirmos as leis, ao orientarem o nosso livre arbítrio. Mas o fazem sem o perceberem, de maneira oculta, para não prejudicarem a nossa vontade. O homem se encontra então na posição de quem solicita bons conselhos e os segue, mas conservando a liberdade de segui-los ou não. Deus quer que assim seja, para que ele tenha a responsabilidade dos seus atos e para lhe deixar o mérito da escolha entre o bem e o mal. É isso o que o homem sempre receberá, se pedir com fervor, e ao que se podem sobretudo aplicar estas palavras: “Pedi e obtereis”.
            A eficácia da prece, mesmo reduzida a essas proporções, não daria imenso resultado? Estava reservado ao Espiritismo provar a sua ação, pela revelação das relações entre o mundo corpóreo e o mundo espiritual. Mas não se limitam a isso os seus efeitos. A prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo a sua assistência; e para os outros, o bem que se poderia fazer.
            13 – Ao atender o pedido que lhe é dirigido, Deus tem freqüentemente em vista recompensar a intenção, o devotamento e a fé daquele que ora. Eis porque a prece do homem de bem tem mais merecimento aos olhos de Deus, e sempre maior eficácia. Porque o homem vicioso e mau não pode orar com o fervor e a confiança que só o sentimento da verdadeira piedade pode dar. Do coração do egoísta, daquele que só ora com os lábios, não poderiam sair mais do que palavras, e nunca os impulsos da caridade, que dão à prece toda a sua força. Compreende-se isso tão bem que, instintivamente, preferimos recomendar-nos às preces daqueles cuja conduta nos parece que deve agradar a Deus, pois que são melhores escutados.
            14 – Se a prece exerce uma espécie de ação magnética, podemos supor que o seu efeito estivesse subordinado à potência fluídica. Entretanto, não é assim. Desde que os Espíritos exercem esta ação sobre os homens, eles suprem, quando necessário, a insuficiência daquele que ora, seja através de uma ação direta em seu nome, seja ao lhe conferirem momentaneamente uma força excepcional, quando ele for julgado digno desse benefício ou quando isso possa ser útil.
            O homem que não se julga suficientemente bom para exercer uma influência salutar, não deve deixar de orar por outro, por pensar que não é digno de ser ouvido. A consciência de sua inferioridade é uma prova de humildade, sempre agradável a Deus, que leva em conta a sua intenção caridosa. Seu fervor e sua confiança em Deus constituem o primeiro passo do seu retorno ao bem, que os Bons Espíritos se sentem felizes de estimular. A prece que é repelida é a do orgulhoso, que só tem fé no seu poder e nos seus méritos, e julga poder substituir-se à vontade do Eterno.
            15 – O poder da prece está no pensamento, e não depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que é feita. Pode-se, pois, orar em qualquer hora, a sós ou em conjunto. A influência do lugar ou do tempo depende das circunstâncias que possam favorecer o recolhimento. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que a fazem se associam de coração num mesmo pensamento e têm a mesma finalidade, porque então é como se muitos clamassem juntos e em uníssono. Mas que importaria estarem reunidos em grande número, se cada qual agisse isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma aspiração comum, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força do que a daquelas cem. (Ver cap. XXVIII, nº 4 e 5 ).

Este assunto foi exposto nas Palestra do dia 21/03/2014

Estímulo fraternal

“Ó meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” – Paulo. (Filipenses, 4:19.)
Não te julgues sozinho na luta purificadora, porque o Senhor suprirá todas as nossas necessidades.
Ergue teus olhos para o Alto e, de quando em quando, contempla a retaguarda.
Se te encontras em posição de servir, ajuda e segue.
Recorda o irmão que se demora sem recursos, no leito da indigência.
Pensa no companheiro que ouve o soluço dos filhinhos, sem possibilidades de enxugar-lhes o pranto.
Detém-te para ver o enfermo que as circunstâncias enxotaram do lar.
Pára um momento, endereçando um olhar de simpatia à criancinha sem teto.
Medita na angústia dos desequilibrados mentais, confundidos no eclipse da razão.
Reflete nos aleijados que se algemam na imobilidade dolorosa.
Pensa nos corações maternos, torturados pela escassez de pão e harmonia no santuário doméstico.
Interrompe, de vez em quando, o passo apressado, a fim de auxiliares o cego que tateia nas sombras.
É possível, então, que a tua própria dor desapareça aos teus olhos.
Se tens braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem dos semelhantes, és realmente superior a um rei que possuísse um mundo de moedas preciosas, sem coragem de amparar a ninguém.
Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura.
Que a enfermidade e a tristeza nunca te impeçam a jornada.
É preferível que a morte nos surpreenda em serviço, a esperarmos por ela numa poltrona de luxo.
Acende, meu irmão, nova chama de estímulo, no centro da tua alma, e segue além... Sê o anjo da fraternidade para os que te seguem dominados de aflição, ignorância e padecimento.
Quando plantares a alegria de viver nos corações que te cercam, em breve as flores e os frutos de tua sementeira te enriquecerão o caminho.

Este assunto foi exposto nas Palestras do dia 28/12/2013 




CARTA DO SENADOR PÚBLIO LENTULUS AO IMPERADOR TIBÉRIO CÉZAR, DESCRENVEDO AS CARACTERÍSTICAS
MORAIS E FÍSICAS DE JESUS.

"Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem,
o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da
verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as
coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas
maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem
de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem
são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até
as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.
Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos,
o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma
cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.
A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio,
seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que
resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante,
porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com
gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito
belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que
é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito
semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma
mulher tão bela, porém, se a majestade tua, ó Cézar, deseja vê-lo, como no aviso passado
escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.
De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca
estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim,
porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.
 Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me
dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este
Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de
Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles eu o
conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à
tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.
Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo... Públio Lentulus, presidente da Judéia
Lindizione setima, luna seconda.”

 (Este documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesadini, em Roma. Essa carta, onde se faz o retrato físico e moral de Jesus, foi mandada de Jerusalém ao imperador Tibério César, em Roma, ao tempo de Jesus.) 

Este assunto foi exposto nas Palestras do dia 20/12/2012 e 10/12/2013